O projeto Balde Cheio, uma iniciativa que visa melhorar a produção de leite, foi o tema da última palestra da 49° Expopar (Exposição Agropecuária de Paranaíba) e 9° Expoleite. A preleção, realizada na tarde de anteontem, por volta das 14h, no Parque de Exposições, mostrou as atuações, técnicas aplicadas e os resultados do programa.
O engenheiro agrônomo Marcelo Rezende, diretor presidente da Cooperideal (Cooperativa para Inovação e Desenvolvimento da Atividade Leiteira), foi o palestrante. O Balde Cheio, observou, já é executado em nove propriedades de Paranaíba, porém sempre existem produtores que não conhecem a metodologia e as regras para participar do programa.Durante a palestra,ele mostrou os resultados obtidos em Mato Grosso do Sul, onde são atendidas 82 propriedades, e nos outros nove estados onde a Cooperideal atua.
O projeto esclareceu, é um trabalho de intensificação no sistema de produção: são colocados mais animais em uma mesma área; por meio da intensificação, o produtor dá uma condição de manejo melhor e alimentação adequadas ao animal. Com isso, o gado poderá expressar o seu potencial produtivo pode melhorar a sua renda e sua qualidade de vida.
No programa contou, um técnico visita a propriedade e avalia a estrutura que o produtor tem para que ela seja aproveitada ao máximo.
Também são evitados investimentos no inicio do trabalho.
O técnico propõe algumas mudanças baseadas na utilização intensiva de pastagens. O produtor faz anotações zootécnicas e econômicas da propriedade. A partir das anotações, o especialista mostra o que está acontecendo na propriedade, o que pode ser feito e o que precisa melhorar.
O projeto , ressaltou, pretende mostrar para o produtor o potencial da sua propriedade. Para isso, sempre são usadas áreas pequenas, porque requerem um baixo investimento. Analisando o pequeno espaço,o produtor consegue ver o potencial de sua propriedade inteira:”se eu consegui isso numa área pequena, na minha propriedade como todo eu posso conseguir muito mais”.
A visão potencial que o produtor tem com as visitas realizadas pelo técnico, esclareceu, é a base para ele começar a crescer, investir mais na atividade e ter uma renda melhor. “Com o passar do tempo, o projeto é implantado a produção aumenta, o produtor tem mais renda e se sente mais realizado com a atividade”, destacou.
O Balde Cheio, observou, está em praticamente todo o Brasil (somente o Estado de Roraima não conta com a iniciativa). São mais de 4 mil propriedades assistidas pelo programa, que tem 12 anos e foi desenvolvido na Embrapa Pecuária Sudeste.
Aos poucos, em 1998, no Estado de São Paulo, o projeto começou a ser “espalhado” pelo país. O criador do projeto Balde Cheio, o pesquisador da Embrapa, Artur Chinelato de Camargo, visita periodicamente as regiões. Nas visitas, ele avalia o que está sendo feito na propriedade, dá direcionamentos para os técnicos para os produtores. A cada visita são geradas mais demandas, que são atendidas, o que faz a produção crescer e o projeto ser mais reconhecido.
A eficácia do Balde Cheio, garantiu, é comprovada. São mostrados inúmeros casos de sucesso em propriedades de todos o tamanhos. No Rio de Janeiro, contou, é atendida uma propriedade de meio hectare-são produzidos 110 litros de leite.Tanto o pequeno produtor, acrescentou, quanto o que produz cerca de três mil litros por dia são beneficiados com o programa. Isso mostra, continuou, que as técnicas do projeto podem ser aplicadas em qualquer propriedade, é preciso apenas adequar a situação de cada produtor. As técnicas, segundo Marcelo, são simples, mas muitas vezes não chegam até o produtor. “O Balde Cheio faz um elo: pega tudo o que está nas instituições de pesquisa e leva, por meio dos técnicos, até o produtor”, concluiu.